Passageiras denunciam motorista de aplicativo por intolerância religiosa, em Alagoinhas: “Vocês estão com o satanás, vestidas com roupas de candomblé”
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2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em Alagoinhas. Foto: Rafaela Paixão/G1 |
Duas mulheres acusam um motorista de aplicativo de intolerância religiosa, após terem sido deixadas “no meio da rua”, na noite de quarta-feira, 4 de fevereiro, em Alagoinhas (BA).
De acordo com informações obtidas pelo site Luciano Reis Notícias, um boletim de ocorrência foi registrado na 1ª Delegacia Territorial (DT) da cidade.
Elas contaram à Polícia Civil, que após terem solicitado a corrida, durante o trajeto, perceberam que a rota não estava certa.
“Quando instruímos o caminho correto ao motorista, fomos vítimas de injúria, chamadas de vagabundas, ele disse que o veículo era dele e que nós estaríamos carregando um monte de diabo”, relatou uma delas na unidade policial.
As passageiras contaram ainda, que foram retiradas do carro sem que a corrida fosse cancelada, a qual já estava paga e que o motorista ainda ameaçou a passar com o veículo em cima delas, após afirmar que ele anda com “Deus”.
“Pedi ao condutor para mudar a rota, ele disse que só poderia ser alterada pelo aplicativo, e assim, eu fiz. Ele declarou que o destino estava errado, então minha companheira solicitou para que ele seguisse o GPS que estava indicando certo, foi quando ele começou a gritar, afirmando que a porra do carro não é do aplicativo, e sim dele, nos chamou de vagabundas e que estávamos com o satanás pelo fato que vestíamos roupas de candomblé. Após parar o carro, fomos obrigadas a descer e ele continuou nos xingando e ameaçando”, relatou uma das mulheres, a empresa, por meio do aplicativo.
Intolerância religiosa é crime
Discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode resultar de um a três anos de reclusão e aplicação de multa, conforme determina a lei. Mesmo assim, entre janeiro de 2015 e o primeiro semestre de 2017, o Brasil registrou uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas, segundo o extinto Ministério dos Direitos Humanos.
Os números fizeram o Brasil ser denunciado, pela primeira vez, na Corte Interamericana de Direitos Humanos por omissão do Estado em relação a esse fato, em 2017.
Ao Luciano Reis Notícias, o advogado Cléber Almeida, um dos principais defensores da causa em Alagoinhas e Coordenador Jurídico da Federação do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Regional Alagoinhas, disse que “o Brasil vive a era do ódio”.

A Federação do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Regional Alagoinhas, divulgou, na noite de domingo, 7 de fevereiro, uma nota de repúdio em que se manifesta contra práticas de racismo religioso. A manifestação foi publicada nas redes sociais.
O documento destaca que a Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), manifesta seu veemente repúdio aos ataques de racismo religioso cometidos contra duas jovens de nossa religião. No último dia 4 de fevereiro, duas jovens solicitaram uma corrida por meio de aplicativo de plataforma eletrônica de transporte privado, a corrida foi aceita pelo motorista do aplicativo, entretanto houve desvio de rota, ao perceber, a dupla de jovens instruiu o motorista a fazer a rota correta; culminando assim, uma série de ofensas e ameaças “o veículo é meu, vocês estão cheias de diabo” ainda prosseguindo com ofensas e ameaças, disse palavras de baixo calão as jovens. Ainda de forma abrupta arrancou as duas de dentro do carro, sem cancelar a corrida já paga.
A entidade diz ainda, que o caso foi registrado na 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) em Alagoinhas, em seguida denunciado ao Ministério Público do Estado (MP-BA) e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). O caso recebeu apoio de nossa equipe jurídica. A Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro se solidariza com as vítimas, ao passo que reforça o direito da liberdade religiosa garantida na nossa magna, a CF/88.

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