Crescimento industrial fortalece protagonismo de Alagoinhas na Bahia
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| Foto: Amilton André |
A interiorização da economia baiana ganhou novos contornos nos últimos anos, e Alagoinhas desponta como um dos principais exemplos dessa transformação. Impulsionada por uma localização estratégica, abundância hídrica, incentivos fiscais e expansão da infraestrutura industrial, a cidade vem atraindo investimentos bilionários e diversificando sua matriz econômica para além do tradicional setor de bebidas.
Conhecida nacionalmente como a “capital da cerveja”, Alagoinhas reúne hoje operações ligadas aos segmentos de bebidas, saúde, construção civil, petróleo e gás, logística e serviços. O movimento acompanha a tendência apontada pelo estudo Desconcentração Produtiva e Interiorização, do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que identifica uma redução da concentração econômica na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e o fortalecimento de polos produtivos no interior do estado.
Segundo o levantamento, a participação da RMS no Produto Interno Bruto (PIB) baiano caiu de 48,3% em 2009 para 39,4% em 2021. Em paralelo, regiões do interior passaram a registrar crescimento acima da média estadual, impulsionadas por setores como agronegócio, logística, construção civil, energias renováveis e atração de novas indústrias.
Com cerca de 151 mil habitantes, Alagoinhas possui aproximadamente 2.601 empresas formais, responsáveis por mais de 6,8 mil empregos industriais. O setor industrial representa 31,34% do PIB municipal, estimado em R$ 5,7 bilhões — o 14º maior da Bahia.
A cidade abriga um dos principais centros industriais listados pela Investe Bahia e prepara uma nova etapa de expansão. A Prefeitura definiu duas áreas que somam cerca de 1,7 milhão de metros quadrados para ampliação do parque industrial, às margens das BRs 110 e 101, nas regiões de Narandiba e Boa União. A expectativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Emprego (SDEE) é que o novo parque entre em operação até dezembro deste ano.
O município entrou na rota de insumos hospitalares, recentemente, com a chegada da multinacional Pion G Plus, que inaugurou uma fábrica focada em produtos médico-odontológicos. A cidade também atraiu investimentos como o da Otimiza Concretos, impulsionando a infraestrutura e gerando centenas de empregos diretos e indiretos. Para atrair novos empreendimentos, o município vem oferecendo incentivos que incluem redução de até 50% nas alíquotas de ISS e IPTU.
A localização geográfica é considerada um dos principais diferenciais competitivos. Cortada por importantes rodovias federais e próxima de centros como Salvador, Feira de Santana e o Recôncavo Baiano, Alagoinhas se tornou um ponto estratégico para distribuição de mercadorias e atendimento industrial.
Água de qualidade impulsiona setor de bebidas
A vocação industrial da cidade ganhou força principalmente com o setor de bebidas. Grandes grupos seguem ampliando operações no município, entre eles a Indústria São Miguel (ISM) e o Grupo Petrópolis.
Gerente industrial da ISM em Alagoinhas, o peruano Richard Coronado afirma que a qualidade da água foi decisiva para a implantação da fábrica na cidade, em 2012. “Essa é a melhor água com que já trabalhei em todas as fábricas do grupo. Ela é captada do subsolo e vai diretamente para as garrafas, sem necessidade de tratamento prévio”, revelou.
Na prática, a excelente qualidade da água impacta diretamente na redução e custos da operação. “Com tratamento químico, até água do mar fica potável, mas é um processo caro”, explica Coronado. Atualmente, a planta produz entre 15 e 16 milhões de litros de bebidas por mês e opera com três linhas de produção em funcionamento. Uma quarta linha está sendo instalada para ampliar a capacidade em até cinco milhões de litros mensais.
A unidade produz refrigerantes, energéticos, sucos e água mineral em embalagens plásticas e abastece mercados como Salvador, Feira de Santana, Juazeiro, Maceió e Ilhéus. Segundo Coronado, a fábrica opera 24 horas por dia, sete dias por semana, e emprega 317 trabalhadores diretos e indiretos na área industrial. Considerando também as áreas comercial, de distribuição e demais operações, totaliza 701 colaboradores diretos.
Apesar do crescimento, o executivo aponta desafios relacionados à qualificação da mão de obra e à alta rotatividade de funcionários. Parte dos novos operadores contratados para a expansão da fábrica foi capacitada por meio de parceria com o Senai.
Petróleo e gás movimentam novo nicho industrial
Outro setor que vem fortalecendo a economia local é o de petróleo e gás. Instalada em Alagoinhas desde 2015, a Nova Coating atua em um nicho altamente especializado: revestimentos anticorrosivos para tubos utilizados na extração de petróleo.
Engenheiro de Produção e gestor de projetos da empresa, Leandro Faleta explica que a operação atende praticamente todas as operadoras petrolíferas do país, incluindo a Petrobras.
“Os tubos utilizados nos poços de petróleo chegam a profundidades entre mil e três mil metros. O petróleo bruto possui uma composição extremamente agressiva, que provoca corrosão acelerada no aço carbono. Nosso trabalho é aplicar revestimentos que aumentam a vida útil desses equipamentos”, afirmou.
Segundo ele, um tubo sem revestimento pode durar apenas seis meses em determinados poços. Com o tratamento realizado pela empresa, a durabilidade pode chegar a até três anos, reduzindo custos operacionais milionários para as petroleiras.
A planta de Alagoinhas recebe tubos vindos de diversos estados do país para beneficiamento e redistribuição. A empresa possui cerca de 45 funcionários fixos e filiais em Sergipe e São Sebastião do Passé. Para Faleta, a escolha de Alagoinhas teve relação direta com fatores logísticos e estruturais.
“Aqui conseguimos atender melhor toda a operação do Nordeste. Estamos próximos dos campos de petróleo da Bahia e também temos uma rede de fornecedores, hotelaria, serviços e infraestrutura que facilitam a operação industrial”, explicou.
A empresa mantém parceria com o Sistema Fieb e o Senai para capacitação profissional e formação técnica de jovens aprendizes.
Indústria cerâmica é elo importante na cadeia produtiva da Construção Civil
O crescimento do setor imobiliário e da construção civil também impulsiona a atividade industrial no município. Um dos exemplos é a Cerâmica Santana, instalada em Alagoinhas desde 2004.
O administrador da empresa, Leonardo Alves, afirma que a escolha pela cidade ocorreu após estudos que identificaram a qualidade da argila da região e a posição estratégica para distribuição. “Nós conseguimos atender Salvador, Feira de Santana, o Recôncavo, parte do sul da Bahia e a região norte do estado com facilidade logística”, afirmou.
A empresa emprega atualmente cerca de 120 funcionários e produz aproximadamente 1,7 milhão de peças por mês. Uma segunda unidade, atualmente desativada, passa por manutenção e deve retomar as operações até o início do próximo ano, ampliando a capacidade produtiva para cerca de dois milhões de peças mensais.
Leonardo destaca que o crescimento econômico da cidade é perceptível no cotidiano. “Você vê muitos caminhões circulando, o comércio evoluindo, novos serviços surgindo. É uma cidade efervescente e que tem muito potencial de crescimento”, disse.
Ele ressalta, no entanto, que melhorias em infraestrutura rodoviária ainda são necessárias, especialmente na duplicação do trecho entre Feira de Santana e Alagoinhas e na manutenção das estradas da região.
O avanço industrial vem sendo acompanhado pelo crescimento do comércio, do setor de serviços e da educação superior. O município conta atualmente com sete escolas técnicas e sete instituições de ensino superior, incluindo cursos nas áreas de Direito e saúde.
Sistema Fieb fortalece desenvolvimento industrial em Alagoinhas
O crescimento industrial de Alagoinhas conta com o apoio direto das entidades do Sistema Fieb, por meio de ações voltadas à qualificação profissional, inovação, saúde e segurança do trabalho e fortalecimento da competitividade industrial. Na avaliação da gerente de Relações Institucionais da Fieb na Regional Nordeste, Renata da Purificação Pinto, o fortalecimento do parque industrial de Alagoinhas está diretamente associado ao apoio estruturado às empresas locais.
“O Sistema Fieb tem atuado de forma integrada junto às indústrias da região, oferecendo soluções em saúde e segurança do trabalho, qualificação profissional, serviços de tecnologia e inovação, além de iniciativas de inserção e desenvolvimento de talentos para o mercado de trabalho”, afirma.
As ações também contemplam o desenvolvimento de competências alinhadas às demandas produtivas. “Por meio das entidades que compõem o Sistema, contribuímos tanto para a formação de mão de obra qualificada quanto para a melhoria das condições de trabalho e o aumento da competitividade das empresas, fortalecendo o ambiente industrial e impulsionando o desenvolvimento regional”, acrescenta Renata.
Empresas instaladas no município destacam a parceria com o Senai Bahia na formação de mão de obra especializada para atender à expansão das operações industriais. A Indústria São Miguel (ISM), por exemplo, capacitou recentemente profissionais para atuar na nova linha de produção da fábrica por meio de cursos realizados em parceria com a instituição.
A Nova Coating também mantém cooperação com o Senai Alagoinhas em programas de aprendizagem industrial, estágios e cursos técnicos voltados à qualificação de trabalhadores da área industrial e de manutenção.
Além da formação profissional, as empresas ressaltam o suporte oferecido pelo Sesi em iniciativas de saúde ocupacional e qualidade de vida. A Cerâmica Santana realizou, em parceria com o Sistema Fieb, campanha de vacinação contra a gripe para os colaboradores da unidade. Outro destaque citado pelas indústrias é o apoio técnico em ações de segurança do trabalho, palestras, SIPATs e capacitações internas voltadas ao ambiente industrial.
O Observatório da Indústria da Fieb também contribui com estudos econômicos e levantamento de dados estratégicos sobre o desenvolvimento regional, auxiliando empresas e gestores públicos na formulação de políticas de expansão industrial e atração de investimentos.
Fonte: Acorda Cidade

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