Quadrilha invade indústrias, faz funcionários reféns e causa prejuízo de mais de R$ 500 mil na Bahia

 

Operação contra roubos de cabos de energia
Foto: Divulgação/ Polícia Civil

A Polícia Civil da Bahia deflagrou uma operação, na manhã desta quinta-feira (30) contra um grupo criminoso especializado em roubos de cabos em empresas instaladas nos polos industriais do Centro Industrial de Aratu (CIA) e de Aratu. Foram cumpridos um mandado de prisão e quatro de busca e apreensão nos bairros de Fazenda Coutos e Paripe, em Salvador, e no município de Camaçari.

Em Camaçari, um dos investigados, apontado como líder do grupo criminoso, foi localizado em uma residência. Ao perceber a aproximação das equipes policiais, tentou fugir, mas foi alcançado e preso. Conforme apurado, ele era responsável por planejar os ataques, elaborar a logística das ações, recrutar integrantes especializados para cada investida e participar diretamente da execução dos crimes.

O segundo alvo da operação, irmão do investigado preso e também apontado como integrante da organização criminosa, não foi localizado e segue sendo procurado.

Operação contra roubos de cabos de energia
Foto: Divulgação/ Polícia Civil

No imóvel, outro homem foi autuado em flagrante por receptação. Durante as buscas, foram apreendidos um veículo, uma motocicleta, um reboque, materiais elétricos, aparelhos celulares, cabos de alta e média tensão e diversas ferramentas utilizadas na prática criminosa.

As investigações apontam que o grupo atua de forma estruturada desde 2015, tendo como principais alvos empresas instaladas em áreas industriais da Região Metropolitana de Salvador. Conforme apurado, os investigados são especializados na subtração de cabos elétricos de alta tensão e outros materiais de elevado valor comercial, utilizando planejamento prévio, divisão de tarefas e forte aparato logístico para a execução dos crimes.

Um dos principais casos atribuídos ao grupo ocorreu na noite de 19 de maio deste ano, em Mata de São João. Segundo as investigações, homens armados invadiram uma empresa, mantiveram funcionários rendidos por aproximadamente seis horas e restringiram a liberdade das vítimas enquanto desligavam o fornecimento de energia da fábrica para retirar grande quantidade de cabos elétricos e componentes da rede elétrica. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 500 mil.

As apurações indicam que um dos investigados conduzia uma van utilizada para transportar os cabos roubados em sucessivas viagens, enquanto outro utilizava um veículo do tipo SUV para monitorar a movimentação nas imediações, escoltar o veículo de carga e dar suporte à fuga. O grupo também utilizava rádios comunicadores, máscaras, luvas e veículos de apoio, além de remover o equipamento de gravação das câmeras de segurança da empresa para dificultar a identificação dos envolvidos.

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), delegado Moisés Damasceno, a investigação revelou o elevado grau de organização e planejamento do grupo criminoso.

“As diligências demonstraram que o grupo conhecia previamente a rotina das empresas, os horários de troca de turno, a ausência de vigilância privada durante a noite e a localização exata dos materiais de maior valor. Os criminosos tinham como objetivo exclusivamente a subtração de cabos elétricos e outros insumos industriais, sem interesse em dinheiro, equipamentos eletrônicos ou pertences das vítimas, o que evidencia a especialização dessa associação criminosa nesse tipo de delito”, destacou.

Os elementos reunidos durante a investigação também indicam que o mesmo modus operandi foi empregado em roubos praticados contra empresas localizadas nos municípios de Feira de Santana, Simões Filho, Dias d’Ávila e Camaçari. Em todos os casos investigados foram identificadas características semelhantes, como a restrição da liberdade das vítimas, a subtração de materiais industriais de alto valor e a utilização de veículos de apoio durante as ações criminosas.

As diligências também identificaram que um dos investigados utilizava uma motocicleta Honda XRE 300 com placa clonada para seus deslocamentos, estratégia empregada para dificultar sua identificação pelas forças de segurança.

A Operação Cabo de Força contou com a participação de 14 equipes policiais. As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia Territorial de Mata de São João, com apoio do Departamento de Inteligência Policial (DIP). A ação foi coordenada pela Delegacia-Geral Operacional (DGO), por meio do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e teve como objetivo cumprir os mandados judiciais, apreender dispositivos eletrônicos, documentos e outros elementos de interesse para o avanço das investigações, identificar os demais integrantes da organização criminosa e os possíveis receptadores.

Fonte: Acorda Cidade

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