Nasa enviou 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço que só voltaram à Terra quase seis anos depois
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| NASA enviou 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço que só voltaram à Terra quase seis anos depois - Imagem: Pixabay |
Doze milhões e meio de sementes de tomate foram enviadas ao espaço em 1984, em um projeto que combinava exploração espacial, germinação de plantas e ensino de ciências.
Prevista para durar cerca de um ano, a missão se estendeu por quase seis, alterando o cronograma original da agência espacial americana.
Quando as sementes finalmente retornaram à Terra, estudantes de escolas em diversos países receberam as amostras espaciais acompanhadas de sementes que nunca deixaram o planeta.
O objetivo era plantar, observar o crescimento e comparar os resultados para descobrir se a permanência em órbita havia alterado a capacidade de germinação e desenvolvimento das plantas.
Nasa enviou 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço que só voltaram à Terra quase seis anos depois
O projeto, batizado de Seds (Space Exposed Experiment Developed for Students), nasceu de uma parceria entre a Nasa e a empresa Park Seed.
A proposta permitia aos alunos investigar na prática como o ambiente espacial afetava material biológico e transformar uma questão científica abstrata em uma atividade observável.
As sementes escolhidas eram da variedade Rutgers California Supreme e foram colocadas em recipientes selados dentro da plataforma orbital LDEF, sigla em inglês para Long Duration Exposure Facility.
Durante toda a viagem, permaneceram apenas armazenadas, pois o cultivo efetivo só começaria após o retorno, em ambientes terrestres, permitindo uma comparação rigorosa com o grupo de controle deixado na Terra.
O ônibus espacial Challenger transportou a plataforma com as sementes em abril de 1984. Foi lançado em 6 de abril e posicionado em órbita no dia seguinte.
Mas uma série de atrasos no programa espacial americano mudou o cronograma.
A tragédia do Challenger, em 1986, impôs uma suspensão dos voos que se prolongou, mantendo o equipamento em órbita por muito mais tempo do que o previsto.
A recuperação só ocorreu em janeiro de 1990, quando o ônibus espacial Columbia chegou à plataforma durante a missão STS-32.
O Columbia pousou em 20 de janeiro, trazendo consigo o equipamento com as sementes que haviam passado quase seis anos flutuando no espaço, uma espera que transformou o projeto numa demonstração involuntária da resiliência de material biológico em ambiente hostil.
Milhões de estudantes plantaram as sementes
A distribuição dos kits alcançou aproximadamente 3,3 milhões de estudantes em cerca de 40 mil escolas.
Mais de 132 mil kits foram enviados a 64 mil professores nos 50 estados americanos, no Distrito de Columbia e em 30 países, atingindo diferentes níveis de ensino.
Cada kit continha sementes que haviam viajado ao espaço, amostras de tomate cultivadas normalmente na Terra, orientações detalhadas e formulários para registrar as observações ao longo do processo.
A agência espacial recebeu quase 8 mil relatórios, número que representa os registros formais devolvidos ao projeto, não a quantidade total de estudantes envolvidos.
Turmas inteiras frequentemente produziam relatórios coletivos. A atividade girava em torno da comparação entre os dois grupos de sementes.
As amostras mantidas na Terra funcionavam como grupo de controle, permitindo que os alunos verificassem se o que observavam nas plantas derivadas de sementes espaciais era realmente fruto da viagem ou se acontecia naturalmente.
O acompanhamento cobria várias etapas do desenvolvimento dos tomateiros.
Os estudantes monitoravam quantas sementes germinavam após o plantio, quanto tempo levava para os primeiros brotos aparecerem e como as plantas cresciam em altura semana a semana.
Também registravam quando surgiam as flores, como se formavam os frutos, que diferenças apareciam nas folhas e outras características das plantas.
Tudo era documentado para permitir uma análise comparativa entre o grupo que viajou e o que ficou na Terra.

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