Candidato à Presidência, Hertz Dias visita Alagoinhas e apresenta propostas do PSTU
| Foto: Rodrigo Rattes / Alagonews |
Alagoinhas entrou, nesta sexta-feira (4), na rota da disputa pela Presidência da República. Candidato ao Palácio do Planalto pelo PSTU, Hertz Dias cumpriu agenda no município e participou, pela manhã, do programa Primeira Mão, da Rádio Ouro Negro FM, onde apresentou algumas das principais propostas de sua candidatura e respondeu a questionamentos sobre economia, relações de trabalho, segurança pública e saúde.
A bancada do programa, formada por Caio Pimenta e Rodrigo Rattes, conduziu a entrevista com o presidenciável, que também respondeu a questionamentos de ouvintes durante sua participação.
Natural de São José de Ribamar, no Maranhão, Hertz Dias tem 55 anos, é historiador formado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), professor da educação básica e militante do PSTU desde 2010. Cofundador do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, também integrou, em 2018, como candidato a vice-presidente, a chapa encabeçada por Vera Lúcia Salgado.
Durante a entrevista, Hertz explicou que a passagem por Alagoinhas faz parte da estratégia da campanha de percorrer também municípios do interior e estabelecer contato direto com os trabalhadores.
“Não prometemos governar para todo mundo. [...] O nosso programa é voltado para a classe trabalhadora. Então, onde tem trabalhador, onde tem trabalhadora, onde tem oprimido, oprimida e que for possível a gente chegar, a gente vai. Por isso que a gente está aqui em Alagoinhas”, afirmou.
Natural de São José de Ribamar, no Maranhão, Hertz Dias tem 55 anos, é historiador formado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), professor da educação básica e militante do PSTU desde 2010. Cofundador do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, também integrou, em 2018, como candidato a vice-presidente, a chapa encabeçada por Vera Lúcia Salgado.
Além da participação no programa, Hertz anunciou uma atividade para as 19h desta sexta-feira, no Espaço Cultural, na Vila d'Lagoinha, onde pretende apresentar seu programa de governo.
Fim da escala 6x1 e jornada de 36 horas
Um dos principais assuntos abordados durante a entrevista foi a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Hertz defendeu a redução da jornada semanal para 36 horas e afirmou que a mudança deve ocorrer sem redução dos salários.
Segundo o candidato, a discussão ganhou espaço no Congresso Nacional a partir da mobilização do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e de organizações sindicais e sociais.
Ao ser questionado sobre o impacto da medida para empresas, especialmente pequenos e médios negócios, Hertz afirmou que uma eventual adequação não deveria recair sobre esses segmentos. A proposta apresentada pelo candidato envolve o fim de benefícios fiscais destinados a grandes grupos econômicos e a maior tributação sobre bilionários.
“Quem vai bancar a adequação para o pequeno e para o médio é justamente o grande. É com o fim de isenção de impostos para eles e também taxando os bilionários”, declarou.
Hertz também contestou o argumento de que a redução da jornada provocaria prejuízos generalizados à economia. Na avaliação do candidato, uma jornada menor poderia ampliar a geração de empregos e, consequentemente, o consumo e a produção.
Estatização de setores estratégicos
Outro ponto central apresentado pelo presidenciável foi a defesa da estatização de setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Hertz argumentou que o país passa por um processo de perda de participação da indústria na economia e defendeu maior intervenção estatal para impulsionar áreas consideradas estratégicas, citando petróleo, indústria de alta tecnologia, semicondutores e inteligência artificial.
“Se o Brasil não fizer isso, o Brasil vai continuar bastante atrasado dentro da divisão internacional do trabalho”, afirmou.
Questionado durante o Primeira Mão sobre os obstáculos políticos e jurídicos para colocar um programa de estatizações em prática, Hertz disse que um eventual governo do PSTU buscaria apoio na organização de “conselhos populares”, formados a partir de sindicatos, movimentos sociais, associações e organizações territoriais.
O candidato também defendeu que mandatos parlamentares possam ser revogados e que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam escolhidos pela população.
Segurança pública
A segurança pública também ocupou parte significativa da entrevista. Ao ser questionado pelo Alagonews sobre propostas de outros presidenciáveis para a construção de grandes presídios, Hertz classificou esse tipo de política como “populismo penal” e afirmou que o aumento da estrutura carcerária, isoladamente, não resolveria o problema da violência.
“Eu vou construir o maior presídio da América Latina e vou ganhar muito voto, porque isso vai de encontro ao sentimento da população de que o Brasil é um país extremamente violento. Só que nós não fazemos populismo penal e isso não resolve”, declarou.
Entre as propostas defendidas por Hertz estão a legalização das drogas sob controle estatal e a desmilitarização das polícias.
O candidato ressaltou que, em sua proposta, legalização não significa liberação irrestrita do consumo. Segundo ele, o objetivo seria colocar a produção e comercialização sob controle do Estado e tratar a dependência química prioritariamente como questão de saúde pública.
“Um dependente não pode ser tratado como bandido. Tem que ser política de saúde pública”, afirmou.
Sobre a desmilitarização, Hertz argumentou que a medida não significaria desarmar as forças policiais. Segundo o candidato, o modelo proposto permitiria aos policiais direitos como sindicalização e maior participação nas discussões sobre as condições de trabalho.
Ele também defendeu a criação de conselhos populares de segurança pública como forma de aproximar as forças policiais das comunidades.
SUS com fila única
Na área da saúde, Hertz apresentou uma das propostas mais abrangentes de seu programa. O candidato defendeu a criação de um sistema de fila única no SUS e afirmou que, em um eventual governo do PSTU, não haveria planos privados nem hospitais privados.
“No governo nosso, SUS vai ser fila única. Não vai ter plano de saúde privado, não vai ter hospital privado. O filho do playboy vai ter que se consultar no mesmo hospital do filho do favelado”, declarou.
Segundo Hertz, recursos públicos atualmente destinados à contratação de serviços privados deveriam ser direcionados à expansão da própria rede pública.
O candidato fez comparação semelhante com a educação superior. Ele criticou o modelo do Programa Universidade para Todos (Prouni), argumentando que os recursos destinados às instituições particulares poderiam ser utilizados para ampliar a quantidade de vagas nas universidades públicas.
Campanha em Alagoinhas
Ao final da entrevista, Hertz agradeceu o espaço concedido pelo programa e voltou a defender que sua candidatura tem como principal referência política a classe trabalhadora.
“Nós temos uma das classes trabalhadoras mais poderosas desse país. E a classe trabalhadora não pode viver de migalhas. Tudo que se produz é a classe trabalhadora”, afirmou.
A passagem de Hertz Dias por Alagoinhas segue nesta sexta-feira com a apresentação às 19h de seu programa político no Espaço Cultural, na d'Lagoinha.
Fonte: Alagonews
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